Porvir
Dei um grito. Rompante. O homem olhou para trás, abismei. Pedi desculpas. Ouvi alguém comentando baixinho que era capaz de eu estar num mundo à parte. Meus olhos correram lágrimas e meu coração começou a desacelerar, apesar de eu ainda estar ofegante. No horizonte, as restelhas de sol tingiam as nuvens de um rosa profundo. O homem apertou os lábios e abaixou a cabeça, como se dizendo que entendia minha situação, quando constatou-se do meu abismo. Eu podia jurar que ouvi aquele sujeito, que se colocara novamente em contemplação, com uma latinha de cerveja à meia altura na mão esquerda, dizer pobre. Não senti pena de mim, apenas entendi que era capaz de eu nunca mais ver sombra de Almiro. O velho ditado dizia: quem fica morre na areia, quem vai não se arrepende. Talvez eu devesse ter escolhido também partir. se escolhas houvesse As pessoas que deram atenção não perduraram, seguiam contemplando o horizonte. Nem eram tantas, mas o suficiente para encher uma balsa peq...