Anestesia musical
(Foto retirada do facebook do artista - Rodrigo Alarcon)
Acho engraçado como nós temos dificuldade de falar dos nossos sentimentos. Outro dia uma amiga se espantou quando eu disse que não estava bem, pois - da maneira como nossas relações se constituem na era virtual, se espera que as pessoas estejam sempre bem (o que é impossível) porque nos acostumamos a mentir, ou ao menos "omitir" para manter uma cordialidade. Entretanto, ela se admirou da minha postura em ser sincero; não significa que precisemos que as outras pessoas se compadeçam ou algo do tipo, mas que saibam que apesar de tudo estamos ali.
Nos acostumamos a responder "tudo bem", mesmo não estando nada bem. De modo a sublimar essas angústias que estão sempre presentes mas que não falamos sobre, nós usamos a música como um artifício, seja qual gênero for, mas me parece que em geral as pessoas escutam músicas condizentes com seus humores. Cantamos as letras que falam verdades que no dia a dia evitamos, como na letra da canção "corte de papel" de Rodrigo Alarcon, em que ele canta não estar bem, mas que vai ficar. E de fato é assim, por mais melancólicos que possamos ser, em algum momento estaremos bem.
Me falaram que isso que eu faço se chama, ironicamente, "sincericídio", uma espécie de rompimento com as barreiras sociais que nos interpelam, atravessam nossas relações impondo que não devemos falar com as pessoas como nos sentimos de fato, pois isso pode "correr com as pessoas". De fato a vida real pode assustar, no instagram tudo é mais bonito, porém irreal.
Minha reflexão é a título de nos valermos dessa coragem, essa anestesia musical que nos permite falar dos nossos sentimentos, como um meio de alcançarmos relações que não preveem o outro como alguém que está "tudo bem", uma "mensagem" que vela uma gama de possibilidades, de contradições, etc.
Na dúvida, citem Alarcon!

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