A poética dura realidade: uma leitura de Terra sonâmbula
A poética dura realidade: uma leitura de Terra sonâmbula paulo freire (Filosofia UFBA, PET-Filosofia) O que se pode entender quando se diz que uma terra é “sonâmbula”? Mia Couto abre o façanhoso Terra sonâmbula com três “citações” que remetem a algo que será, em certa medida, desenvolvido ao longo do romance, uma compreensão sobre as crenças, as ações e as relações, dos seres humanos entre si, entre as culturas e com a terra, esta que “anda” enquanto nós dormimos. Nesta publicação apontarei alguns trechos do romance que foram mais marcantes durante a leitura desta obra que é difícil e tensa mas que nos ensina muito com sua poética. Na página 16 está escrito algo que explica, em poucas palavras, muito das críticas que a obra nos fornece: “A guerra é uma cobra que usa os nossos próprios dentes para nos morder. Seu veneno circulava agora em todos os rios da nossa alma. De dia já não saíamos, de noite não sonhávamos. O sonho é o olho da vida. Nós estávamos cegos.” “o chão deste mundo...