Algumas notas sobre nada
O "Livro sobre nada" é talvez a obra mais conhecida de Manoel de Barros e foi por onde decidi começar a conhecê-lo. O autor é um gigante da poesia brasileira e faz jus ao valor da sua obra. Os poemas contidos neste livro são dispostos em quatro partes: Arte de infantilizar formigas; Desejar ser; O livro sobre nada; Os Outros: o melhor de mim sou Eles. O que percebemos ao longo dessas quatro partes é que o autor versa muito, de maneira geral, sobre a infância e os sentidos das coisas. Me pareceu que uma de suas "intenções" é o desinteresse, ou seja, falar das coisas cotidianas sem grandes pretensões de produção de sentidos complexos. Ser simples e ser junto as coisas, com os outros e em relação a natureza, parece ser por aí que se envereda Manoel de Barros quando propõe um livro sobre nada e ao mesmo tempo sobre tantas coisas que passam despercebidas.
A meninice parece interessar o autor, uma visão sobre as coisas que tornam às próprias coisas. Não atoa, ele abre a primeira parte dizendo que "As coisas tinham para nós uma desutilidade poética" e finaliza essa primeira parte dizendo que "De noite o silêncio estica os lírios". Sendo, portanto, objeto de troça poética tanto as coisas, quanto qualquer coisa. É ele mesmo quem diz que aprendeu a brincar com as palavras.
Me parece que um dos pontos que podemos chamar atenção em "Livro sobre nada" é, novamente, este desinteresse, por falar sobre nada, sobre as coisas "desúteis", sobre a falta de esplendor, sobre a simplicidade e a "desnecessidade" de pretensões maiores do que as que estejam ao nosso alcance nesta abertura que é o nada.

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