Resumo do livro Claros e Escuros: Identidade, povo, mídia e cotas no Brasil de Muniz Sodré



 De uma forma bem detalhada Muniz Sodré, sociólogo baiano, busca uma proposta de discussão sobre a questão identitária no Brasil. A partir da ideia de identidade ele discute, trazendo diversos autores - do porte de Habermas, Lacan, Heidegger, Elias, Gilberto Freyre, etc. - para dialogar com amplas perspectivas sobre como podemos falar de uma "identidade nacional"; mostrando ele que o que se compreende quando se fala de identidade não passa de uma ilusão sustentada por algo que é, no fundo, uma "identificação" (no sentido de "traços identitários") baseada na cultura, moral, racionalidade, religiosidade, etc.; de modo geral não se trata de algo fixo que permita identificar uma nação ou um povo.

         No que diz respeito à língua, há variações e diversidade muito ampla em seu uso, por exemplo. Assim, Sodré nos mostra que a busca irrefreável pelo estabelecimento de uma identidade nos prova de maneira singular que não a temos de modo evidente; ele aponta ainda, fazendo uma análise político-histórico-cultural, o quão as influências euro-americanas invadem nossa racionalidade por causa do colonialismo e uma série de outros fatores sociais no desenvolvimento histórico do Brasil como uma nação, ocasionando uma "angústia identitária", coisa que os movimentos sociais identitários confirmam muito bem, a busca pelo estabelecimento de uma identidade.

       A ideia de povo, enquanto um conjunto ou grupo de pessoas que tem traços (caracteres) semelhantes em seu modo de ser, sua cultura e que ocupam um determinado espaço geográfico, é muito pautada na ideia de territorialidade, um tipo de "afastamento social" de um grupo, diferenciando-o do restante da nação.

      Sodré faz um percurso longo na exposição e no trato dos conceitos de identidade e povo, até chegar em mídia e cotas no Brasil, conteúdo desenvolvido em conjunto de maneira proposital , pois o autor traz a política de cotas apontando a receptividade dela pela grande mídia nacional, mostrando como revistas e jornais de grande porte, como, por exemplo, Veja, Folha de São Paulo, O Globo, etc., se posicionaram, por meio de suas matérias, quando surgiu a política de cotas e - principalmente - quando ela foi constitucionalizada.

        Em se tratando de uma questão que é histórica, política e social, Sodré consegue apontar ou pelo menos indicar como podemos pensar o problema da oposição "claros e escuros" e como o povo escuro foi (historicamente) e é (político, social, filosófico, economicamente, etc.) prejudicado por conta de um modus operandi que pensa as diferenças de maneira negativa e preconceituosa, quando o cerne da questão da identidade (podemos falar dela enquanto cultura) se encontra fundado principalmente nessas diferenças.

        Claros e Escuros é, acima de tudo, uma proposta de reflexão sobre a nossa realidade política e social; e, ainda, uma proposição quando falamos na questão identitária, pois Sodré propõe seu estabelecimento por via da cultura.


Referência

SODRÉ, Muniz. Claros e Escuros : identidade, povo, mídia e cotas no Brasil. 3. ed. atual. e ampl. - Petrópolis, RJ : Vozes, 2015.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CORDIALIDADE BRASILEIRA ENQUANTO PROBLEMA MORAL E POLÍTICO

Filha das Trevas